Faleceu o Bibliotecário e Escritor Joaquim Mestre. Dirigiu durante 18 anos a Biblioteca Municipal de Beja,
quarta-feira, maio 06, 2009
Joaquim Figueira Mestre, escritor e director da Biblioteca Municipal de Beja, faleceu no Domingo à noite (3 de Maio), em Lisboa, vítima de doença prolongada. O funeral realizou-se terça-feira, pelas 08.00 horas.
Tinha 54 anos e era director da Biblioteca Municipal de Beja. Joaquim Figueira Mestre ajudou a transformar a Biblioteca da cidade numa Biblioteca de referência a nível nacional. Para além da actividade profissional que desempenhava, Figueira Mestre também deixou obra escrita e foi recentemente distinguido com o Prémio Manuel da Fonseca 2008.
Francisco Santos, presidente da Câmara Municipal de Beja, muito emocionado referiu que «todos ficam a perder com a morte de Figueira Mestre».
Carlos Pinto Coelho, jornalista e amigo de longa data de Joaquim Figueira Mestre, consternado disse que «se foi embora um dos maiores amigos que Beja poderia ter» e recordou que «foi pela mão do director da Biblioteca que a cidade foi transformada numa catedral da leitura. Foi este homem que conseguiu trazer a Beja os maiores vultos da literatura portuguesa»
Joaquim Mestre, nasceu em Trindade, concelho de Beja. Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e pós-graduado em Ciências Documentais pela mesma universidade.
Iniciou o seu trabalho na Biblioteca Municipal de Beja, antes deste espaço abrir ao público, ou seja desde 1991/92 e exerceu como director a sua actividade profissional no mesmo até ao seu falecimento (inclusive era Chefe da Divisão de Bibliotecas e Museus na Câmara Municipal de Beja). Foi um dos pioneiros da Rede Nacional de Rede Nacional de Bibliotecas Públicas. Recorde-se a história, após a inauguração da Biblioteca de Beja, em 1993, que não manifestando os moradores da cidade grande interesse em frequentar a nova biblioteca, Mestre empurrou um burro escada acima, franqueando-lhe a porta, e declarando que, se até um asno entrava naquele antro de cultura, não seria um bejense que o não faria.
Joaquim Figueira Mestre foi igualmente escritor de relevo. Autor de vários livros entre eles contos O Livro do Esquecimento (2000), dos romances A Cega da Casa do Boiro (2001), O Perfumista (2006), e Imperfeições do amor (2007). Director das revistas Rodapé e Pé de Página. Viveu no Alentejo, ermo a que alguns chamam a sua casa e onde as pessoas andam com o sol nas mãos e a lonjura no olhar. Viveu num monte onde tem uma vinha e sonhava um dia fazer um grande vinho. Recordamos que foi distinguido recentemente com o prémio Manuel da Fonseca 2008, com a obra: “Breviário das Almas”, um conto que colheu a unanimidade do júri.
Reformados e estudantes são os habituais frequentadores. Procuram o acesso à internet, música e cinema, "porque cada vez mais a biblioteca não é só livros".
O primeiro contacto com a Biblioteca Municipal Almeida Garrett, do Porto, faz-se na recepção, onde os leitores podem pedir informações e adquirir o cartão do leitor. É este documento que permite usufruir do empréstimo domiciliário, dos meios informáticos e do serviço de fotocópias que a biblioteca disponibiliza.
"Um dia normalmente muito movimentado, com muita gente". É assim que a bibliotecária Iria Teixeira caracteriza o quotidiano da Biblioteca Municipal. "As manhãs normalmente são muito mais calmas, vem um público diferente: estudantes e pessoas mais disponíveis, com mais idade, para ler o jornal. Da parte da tarde há um movimento um bocadinho maior. Continua a haver estudantes e já vem outro tipo de pessoas, que de manhã têm outras ocupações", explica
A disponibilidade de tempo e a proximidade da residência fazem de Paulo Carneiro uma presença diária na biblioteca. O agrónomo de 48 anos vem até à biblioteca para ler revistas, jornais e livros e para usar a Internet. "Ler livros, ver aqui no computador algumas coisas e ver o jornal" são também as razões de Joaquim Pinto, reformado.
Muitos dos leitores que frequentam a biblioteca são residentes no Porto (estudam ou trabalham na cidade) e "vêm muitas vezes na hora de almoço para aceder à internet", diz Iria Teixeira. Desempregados nacionais e estrangeiros que não têm forma de aceder à Net também se juntam à lista das pessoas que frequentam a Almeida Garrett.
Num dos balcões de atendimento ao público, Eva Carvalho, técnica profissional de biblioteca, fala do que é mais fascinante no seu trabalho: "É sobretudo poder contribuir para nos tornarmos uma sociedade mais bem informada e através do conhecimento podermos avançar".
A biblioteca tem várias secções em função das necessidades e interesses do público: infantil e juvenil, periódicos, leitura geral e, no piso inferior, a multimédia. "Cada vez mais a biblioteca não é só livros. Já tem outro tipo de suportes aos quais é importante que as pessoas acedam, porque também são uma forma de conhecimento", explica a bibliotecária Iria Teixeira.
O perfil do leitor habitual
Por dia há uma média de 500 a 700 pessoas a frequentar a Biblioteca Almeida Garrett. A maioria das pessoas procura livros. Mas muitas vêm para utilizar a internet, já que a biblioteca disponibiliza 40 computadores.
Todos os dias mais de 20 pessoas reformadas vêm ler o jornal. Estas pessoas já se conhecem e "já fazem da biblioteca um ponto de encontro", refere Iria Teixeira.
Os estudantes universitários "estão mais despertos para a biblioteca, têm mais necessidade dela e porque é um espaço muito agradável para estudar". A proximidade com a cantina da antiga reitoria faz com que alguns estudantes estejam de manhã na biblioteca e regressem depois do almoço. "Fazem um pouquinho da biblioteca a sua própria casa", diz a bibliotecária.
Para além do público reformado e dos estudantes, há o leitor que vem com alguma frequência requisitar livros. Todos os dias registam-se perto de uma centena de livros. Eventos e actividades para promover a leitura
A "Comunidade de Leitores" é uma actividade apoiada pelo Instituto Português do Livro e das bibliotecas, que consiste em convidar um escritor ou alguém da área da literatura para sugerir seis livros. Depois, durante três meses e com uma regularidade quinzenal, organiza-se um encontro para falar sobre os livros indicados.
Em curso está também o projecto "Para que os meus filhos gostem de ler". Um oficina em que pais e filhos lêem em conjunto e que, por vezes, conta com a presença de um escritor. "Os miúdos são muito mais receptivos, se os pais incentivarem", garante Iria Teixeira.
Esta segunda-feira, a propósito do Dia Mundial do Livro, cada funcionário deixa uma sugestão de leitura de alguma obra que tenha gostado ou que considere importante ler. Já que a biblioteca disponibiliza os recursos, mas há pessoas que não sabem como usá-los, começa, também esta segunda-feira, um curso de correio electrónico para as pessoas mais velhas.
VIII Seminário Multidisciplinar - Ciências Documentais - Abril e Maio - Universidade Autónoma de Lisboa
terça-feira, abril 10, 2007
VIII SEMINÁRIO MULTIDISCIPLINAR
No âmbito doIII Mestrado e XIX Curso de Especialização em Ciências Documentais, coordenados pelos Professores Doutores José Subtil e Maria Nazaré dos Santos, da Universidade Autónoma de Lisboairão decorrer nos meses de Abril e Maio múltiplas conferências, nesta instituição.
PROGRAMA:
12 de Abril Dra. Ana Paula Gordo - Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian DESAFIOS NA GESTÃO DA BIBLIOTECA DE ARTE DA FCG
3 de Maio Prof. Doutor Josemar Henrique - Doutor em Ciências Documentais pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto A ORGANIZAÇÃO SISTÉMICA DA INFORMAÇÃO ARQUIVÍSTICA DA SECRETARIA DO GOVERNO DA CAPITANIA DE PERNAMBUCO DURANTE O ANTIGO REGIME
10 de Maio Prof.ª Doutora Maria Joaquina Barrulas - Investigadora do CITI/INETI INOVAÇÃO E GESTÃO DA INFORMAÇÃO
17 de Maio Prof.ª Doutora Fernanda Alves - Doutora pela Universidade Carlos III de Madrid AS BIBLIOTECAS DIGITAIS LUSÓFONAS
24 de Maio Prof. Doutor José Borbinha - Instituto Superior Técnico SISTEMAS DE INFORMAÇÃO: TEMAS RELEVANTES ACTUAIS PARA AS CIÊNCIAS DOCUMENTAIS
31 de Maio Prof.ª Doutora Zeny Duarte - Doutora em Letras e Docente do Instituto de Ciência da Informação da Universidade Federal da Bahia O ARQUIVO E O NOVO PARADIGMA DA CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO
Todas as conferências terão lugar às 18.30 horas no Mini-Auditório ou em local a confirmar.
Informações e inscrições: Gabinete de Mestrados Rua de Santa Marta, 47-4.º andar – 1169-023 Lisboa Tel. 21 317 76 37 - Fax: 21 317 76 37 Email: mestre [arroba] universidade-autonoma.pt
Apareçam, o painel como observam é de luxo e os temas são muito interessantes e pertinentes.
9º Congresso Nacional da BAD começa hoje e prolonga-se até sexta-feira.
quarta-feira, março 28, 2007
Começa hoje e prolonga-se até sexta-feira.
Com mais 400 participantes esperados, entre bibliotecários, arquivistas e documentalistas, até 30 de Março a cidade de Ponta Delgada acolhe o 9º Congresso da Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas – BAD.
Durante três dias vai-se reflectir e discutir sobre “Bibliotecas e Arquivos: Informação para a Cidadania, o Desenvolvimento e a Inovação”, a par da realização da Expo BAD, uma feira, com 22 expositores, que decorre em paralelo com o congresso.
A Biblioteca Municipal de Arouca e as suas Bibliotecas Itinerantes
sexta-feira, março 09, 2007
Instalada na antiga Casa dos Padres, que davam apoio ás freiras do Mosteiro de Arouca, posteriormente Hospital e depois Casa do Patronato é desde 1991 a Biblioteca Municipal de Arouca, as obras de melhoramento para este novo fim foram concluídas em 2001.
Com mais de 7500 leitores inscritos e uma média de visitas diárias a rondar as três centenas, a Biblioteca Municipal, com 9 funcionários possui um fundo de 26000 obras, mais 5000 que foram doadas recentemente e em fase de classificação. Na freguesia de Fermedo, lugar de Cabeçais, existe ainda um Pólo da biblioteca.
Para dar a conhecer a realidade da sua actividade diária, o Entre Douro e Vouga deslocou-se até Arouca, onde soube através de Isabel Bessa, directora da Biblioteca desde 1990, as particularidades deste estabelecimento de Cultura ao serviço do concelho.
Valter Santos (VS)- Esta foi a primeira biblioteca existente em Arouca?
Isabel Bessa (IB)- Não, antes existia a Biblioteca da Gunblenkian, que era na Praça, que depois passou para aqui já que o seu fundo bibliográfico, foi doado á Biblioteca Municipal, que agora está ligada á Rede de Leitura Pública, foi uma das primeiras a integrar a Rede Nacional de Bibliotecas Públicas.
Inicialmente as bibliotecas eram construídas em duas fases, hoje já não se fazem assim. Actualmente são construídas de raiz. A de Arouca foi feita em duas fases, começamos no piso de cima, e só em 2001 é que concluímos a 2ª Fase, neste piso de baixo, onde nos encontramos.
VS - Quais as valências desta Biblioteca?
IB - Segue os critérios, da Rede, tem um espaço Infantil e Juvenil, com a Sala do Conto, onde fazemos actividades destinadas ás crianças, temos um espaço de periódicos, com jornais e revistas, um espaço destinados aos adultos, onde temos livros e outros documentos, para esse sector etário, existe um espaço multimédia, com Internet, DVD, CD e VHS e temos uma sala polivalente, onde fazemos algumas actividades e damos apoio a associações e instituições que queiram realizar encontros, conferências, seminários, etc…
Temos o espaço dedicado aos gabinetes de trabalho e um sótão pequenino que já está completamente cheio, com uma herança que foi doada á Câmara Municipal, pelo Dr. Tavares de Almeida.
VS - De que é composta essa herança?
IB - São livros e revistas, em número superior a 5.000, alguns deles já integrados no Fundo Bibliotecário, outros ainda não estão, já estão contudo registados e sempre que necessários podem ser consultados. Para lá dos espaços já citados, a Biblioteca tem uma pequena galeria, onde mensalmente se fazem exposições, temos a varanda, um espaço de leitura mais informal e agradável quando o tempo a isso convida …. Que não é caso de hoje, já que chove torrencialmente!...
No exterior temos sempre uma Biblioteca Itinerante, o Bibliomóvel que funciona muito bem, ela sai diariamente estando dirigida essencialmente ás escolas, ela cobre o concelho todo, indo diariamente a cerca de quatro escolas do 1º Ciclo e Jardins Infantis, circula o nosso Bibliomóvel, com estatísticas muito elevadas de frequência, para lá disso temos o projecto Bibliomala, que consta de uma mala em madeira, que abertas se transformam em prateleiras, com cerca de 20 – 25 livros, que ficam nas salas das escolas pelo espaço de um mês, sobre a responsabilidade dos professores. Os livros destinam-se a empréstimo domiciliário, já que o objectivo primeiro, desses conteúdos é chegar ás famílias e envolve-las na leitura, o que tem resultado muito bem, temos empréstimos muito elevados, os miúdos levam os livros para casa e os pais, avós e outros familiares podem lê-los e isso está a acontecer…
Tendo em conta que decorre a Semana da Leitura, os professores estão a pedir aos pais, para nas escolas dos seus filhos irem ler uma história, sabemos que a adesão tem sido boa, mas só no final da iniciativa é que temos números concretos á adesão. Dentro da expansão da nossa actividade, iremos inaugurar em Abril, no Dia Mundial da Leitura, 23 de Abril, vamos inaugurar duas bibliotecas escolares do 1º Ciclo, uma em Alvarenga e outra na Escola da Boavista, freguesia de Santa Eulália
VS - Neste momento onde está o Bibliomóvel ?
IB - Está na Escola de Paço – freguesia de Moldes e como é a Semana da Leitura, o adjunto do presidente da Câmara, Dr. Jorge Oliveira, deve estar neste momento a contar uma histórinha ás crianças dessa escola.
O Bibliomóvel está sobre a responsabilidade de Rui Xavier, que muito se tem dedicado a esse projecto e grande parte do seu êxito, a ele se deve e foi criado em 23 de Abril de 2001
Depois de conversar com Isabel Bessa, directora da Biblioteca Municipal de Arouca, o repórter deslocou-se ao lugar de Paços – Moldes, onde encontrou, a “alma” de uma iniciativa invulgar, Rui Sousa Xavier, que após a surpresa e entre a entrega de livros às crianças no interior da carrinha e depois na explicação da Bibliomala no interior do Pré-Fabricado que serve de Pré-Escola, enquanto entregava a nova mala a explicava ao repórter: “ … Esta Bibliomala, é um conjunto de 70 caixas de madeira que contem, 25 livros cada, que ficam nas diversas salas e escolas do concelho de Arouca e há sempre uma suplente que vai renovando os conteúdos, basicamente é assim que funciona, rodam as malas, de mês a mês, há sempre uma nova mala que entra, com novos livros e uma que sai para a próxima escola. "
VS - A iniciativa tem tido sucesso?
Rui Sousa Xavier - Sim, a iniciativa nasceu comigo, primeiro a carrinha do Bibliomóvel em 2001, as malas surgiram no inicio de 2003 e as últimas estatísticas, dizem que já emprestamos mais de 100.000 documentos, nestes seis anos, os professores reagem bem e as crianças nem se fala!…”
Sobre a Drª Isabel Sousa, a "Rosa Mota das Bibliotecas"
quinta-feira, janeiro 25, 2007
"Isabel Sousa não é uma mulher de consensos. E assume. O seu extenso e prestigiado currículo é também marcado pela divergência que as suas ideias e atitudes suscitam. Mas será possível a iniciativa e o dinamismo sem, pelo caminho, criar fracturas? Muitas vezes, não. “O meu feitio também é complicado”, confessa.
Nascida na zona da Praia da Granja, após a licenciatura em História na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e a pós-graduação em Ciências Documentais pela Universidade de Coimbra, Isabel Sousa correu o país enquanto arquivista e bibliotecária. Foi nestas funções que trabalhou e colaborou com várias bibliotecas do Norte do país e trabalhou entre 1989 e 1990 com o professor e historiador José Mattoso na Comissão de Reforma e Reestruturação do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa, o mais importante espólio nacional.
O trabalho desenvolvido ao longo da carreira não passou despercebido mesmo ao mais alto nível e em 2000 aceita o convite do ministro Manuel Maria Carrilho para Comissária Nacional do Ano do Livro e da Leitura. O ano seguinte surpreende-a com outro desafio irrecusável. Isabel de Sousa arregaça as mangas para conceber e desenvolver o Centro de Arquivo e Documentação da recém-criada NTV (televisão do Norte), canal por cabo já extinto.
A assessoria cultural da Câmara Municipal de S. João da Madeira é assumida no final de 2002 e é nesse papel que idealiza e põe no terreno a reconhecida Poesia à Mesa, estreada no Dia Mundial da Poesia de 2003. Em parceria com associações e instituições do concelho, mas também com o comércio local (desde quiosques a cafés e bares), esta iniciativa pretendia fazer nascer a paixão da leitura de poesia nas pessoas comuns. O sucesso desde logo alcançado tornou-a obrigatória no panorama cultural do concelho, até hoje.
A 12 de Abril de 2003, o suplemento DNA do Diário de Notícias elogiava a originalidade de Poesia à Mesa: “Pôr os habitantes de S. João da Madeira a ler mais poesia era o objectivo primeiro – mas só o requinte e a beleza de nos sentarmos à mesa de um café e termos um poema para ler merecia uma vista especial à cidade! Parabéns!” Em 2004, o ministro Pedro Roseta não resistiu e mostrou em público os seus dotes de declamador.
Para a Biblioteca Municipal de Espinho, que dirige desde 2005, Isabel Sousa afirma ter em conjunto com a vereação da cultura da Câmara Municipal muitos projectos em mente, contudo, grande parte só serão materializados após a mudança para as novas instalações. “Quero sair daqui o mais rápido possível”, diz, referindo-se ao espaço ocupado pela biblioteca no Salão Nobre da Piscina Solário Atlântico, na rua 6. Na Área Metropolitana do Porto, Espinho é o único concelho sem uma biblioteca construída propositadamente para o efeito.
E, por fim, entre os milhares de papéis e livros que cercam a sua secretária, surge a pergunta típica para um bibliotecária. O que gosta de ler? “Leio tudo o que tem que ver com a profissão, muitos ensaios. De resto, gosto do espanhol Enrique Vila-Matas, dos portugueses Urbano Tavares Rodrigues e José Luís Peixoto, e da poesia de Manuel António Pina”.
Desde que chegou a Espinho, a biblioteca tem servido de anfitriã a debates e colóquios sobre os mais variados temas. Em Dezembro, no colóquio ‘Biblioteca para Todos’, comemorativo do Dia Internacional do Deficiente, o jornalista Carlos Magno imputava a sua presença como moderador à amizade e admiração que o une a Isabel Sousa desde os tempos da faculdade. “Um dia, o Francisco José Viegas chamou-a de Rosa Mota das bibliotecas”.
O Library Journal (LJ) elegeu este ano como Bibliotecário do ano, Rivkah Sass, a bibliotecária-directora da Omaha Public Library (OPL).A LJ é de longe a revista da área de maior audiência nos Estados Unidos, apresentando uma tiragem superior a 100 mil exemplares (periodicidade bimensal), e que celebra este ano 130 anos desde a sua fundação por Melvin Dewey.
Quando em 2003 Rivkah Sass granjeou o cargo cimeiro na OPL, abraçava um novo e difícil desafio pois nunca antes tinha dirigido qualquer biblioteca, e neste caso tratava-se de uma biblioteca de grande dimensão (Omaha possui mais de 400 mil habitantes e o estado de Nebraska tem quase o tamanho de Portugal).
Antes de ser directora da OPL, Rivkah Sass tinha já assumido diversas funções a nível de bibliotecária, e em vários tipos de bibliotecas. Adquiriu assim ao longo dos anos uma formação deveras multifacetada e um amplo leque de aptidões face aos mais diversos contextos. Sass trabalhara antes em áreas de contacto mais directo com a comunidade como a área de educação, de formação (quer de leitores, quer de profissionais de biblioteca), de dinamização da leitura, de redução da iliteracia, etc ; mas também em área de Referência e de informação, de automatização e aplicação de novas tecnologias, de provisionamento de recursos de informação e de ensino/ aprendizagem.
Sass sempre trabalhou numa perspectiva de desenvolvimento o mais lato possível, de utilização dos mais eficazes e modernos recursos e produtos disponíveis, de contínua e dinâmica inovação, de atitude positiva face à mudança e seu incentivo, de efectiva partilha e delegação de funções nos grupos que coordena, numa relação aberta e de confiança com os colegas, colaboradores e todos os elementos da comunidade envolvente.
Quando em Setembro de 2003 tomou as rédeas de OPL a primeira mensagem que dirigiu aos cidadãos foi que no momento a OPL afigurava-se uma biblioteca de segundo nível e que uma cidade como a Omaha merecia uma biblioteca de elevado prestígio, o que seria doravante a sua principal porfia.
Um dos principais problemas com que Rivkah Sass se deparou desde logo foi ao nível dos recursos humanos, onde existia um claro excesso de bibliotecários (ou de níveis superiores) relativamente a funcionários de hierarquias mais baixas. Sass tem vindo desde então a envidar um grande esforço de equilibrar o quadro de pessoal, colhendo já frutos dessa acção.
Num dos estados americanos com um elevado nível de vida,Rivkah Sass ouvia os cidadãos frequentemente afirmar que tinham acesso à Internet e compravam os seus próprios livros, pelo que a Biblioteca era algo dispensável. Sass tem vindo a realizar uma clara aposta no tipo de produtos e recursos de informação a prover aos seus potenciais utilizadores, bem como os processos e os canais de comunicação e transmissão conformes.
A Omaha Public Library utiliza estratégias de marketing bem invulgares! (foto do Travelin' Librarian)
Em 2003 o acervo da OPL era no geral bastante antigo e com forte pendor nos livros e revistas, em formato impresso. Rivkah Sass “livrou-se” de muito desse material e apostou sobretudo em recursos digitais e multimédia. A nível dos conteúdos a primazia da aquisição incide nas obras de maior qualidade, de menor massificação cultural e com o máximo de actualidade. Foi desenvolvida uma biblioteca virtual onde os utilizadores possam aceder comodamente dos seus computadores em casa a todo o género de recursos: e-books, e-papers, músicas, filmes, etc.
Uma das intervenções mais marcantes de Sass foi o encerramento total de um dos quatro pisos da biblioteca central da OPL e expurgo de grande parte do seu acervo. Com esta intervenção pode assim ter pessoal disponível para manter a biblioteca aberta 7 dias por semana e abrir mais pólos pela cidade (na actualidade são onze).
A OPL tem vindo a apostar numa ligação muito próxima com a comunidade através de parcerias com escolas, colectividades de arte e cultura, centros de desporto e lazer, empresas ; onde desenvolve múltiplas iniciativas (clubes de leitura, dramatizações, ateliers, formação, etc.). Neste âmbito pode ser destacado a activa participação da OPL no concorrido Omaha Lit Fest, ou a pareceria entretanto estabelecida com o prestigiado Bemis Center for Contemporary Arts, de Omaha.
Rivkah Sass, na sua pessoa ou através de outros bibliotecários da OPL realiza regularmente comunicações sobre os serviços e recursos que a OPL disponibiliza, aos mais diversos grupos, nos mais diversos lugares (escolas, associações, clubes, festivais, etc.). Por outro lado presta atenção às diversas comunidades étnicas e linguísticas de Omaha, com programas específicos a elas dirigidas. Desde a sua tomada de posse na OPL o número de utilizadores, a circulação de documentos, ou o volume de tráfego no acesso aos recursos digitais tem vindo a aumentar significativamente.
Texto elaborado com base sobretudo em informações do Library Journal